Uma nova investida contra professores e contra o marxismo na Faced/Ufba
Camaradas,
Todos
sabem da batalha travada pelo Laboratório de Estudos e Pesquisas
Marxistas (LEMARX), da Faculdade de Educação da Universidade Federal da
Bahia (FACED/UFBA) para ser reconhecido e poder disseminar as ideias
marxistas. Na época que entramos com pedido de reconhecimento do grupo,
criaram-se todos os obstáculos possíveis e exigências burocráticas, que
jamais foram impostas a qualquer outra concepção teórico-política ou a
qualquer outro grupo. Mesmo assim, depois de uma campanha e de muita
luta, conseguimos passar o reconhecimento.
Desde
então o Lemarx teve de travar outras tantas batalhas
contra o conservadorismo e os obstáculos burocrátivos impostos às suas
atividades. Nossa relação com os movimentos sociais, com
estudantes, professores e trabalhadores tornou-se um fato irresistível
para a Faced/Ufba, de modo que tiveram de aceitar contra a vontade a
presença do grupo na Faculdade. A cada semestre, o número de pessoas que
procuram os cursos de Introdução ao Marxismo, de Economia Política, das Obras Escolhidas de Marx e Engels e o Grupo de
Educação e Marxismo é cada vez maior.
No
último dia 7 de Novembro do ano em curso, dois membros da Congregação
da Faculdade de Educação questionaram novamente as atividades do Lemarx e
desta vez incluíram também as atividades da Prof. Maria Cecília de
Paula e da Prof. Nair Casagrande, também militantes e que desenvolvem
atividades ligadas aos
explorados do campo e da cidade. O fato das três professores terem
atuação nos movimentos sociais e uma postura crítica frente ao
conhecimento e à atividade docente é de fato a motivação do
questionamento de suas atividades. Querem impor impeditivos à atuação
autônoma destas professoras e cercear a sua liberdade de expressão.
Não
aceitaremos e lutaremos até as últimas consequências para que os tais
questionamentos sejam rechaçados, com o apoio dos movimentos sociais, dos
marxistas e docentes, dos cursistas e demais estudantes, para que sejam
garantidos às docentes a liberdade de expressão, a autonomia e o respeito
às suas atividades. O que se quer com tais questionamentos é impedir
que continuem atuando com autonomia e compromisso de classe no espaço da
Faculdade de Educação, nem que para isso tenham de violentar o próprio
direito
burguês.
Contamos com o apoio e a solidariedade de todos os lutadores e demais companheiros!
Fora a censura da Faced/Ufba!
LEMARX/FACED/UFBA
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Defesa
do
LEMARX apresentada à
Congregação da Faculdade de Educação da Universidade Federal da
Bahia, em 07 de novembro de 2011
Há
quem queira acreditar, nesta Congregação, que os pedidos de vistas em
questão foram um erro, um mero desaviso de alguns professores
solicitantes e há ainda os querem fazer acreditar (os solicitantes) que
se trata de interesse ou cuidado pelo bem público. Não se tratam de
erros, nem de zelo pelo bem público, no entanto.
Esta
Congregação só pode cogitar a hipótese de erro porque jamais foi
brindada com os comentários a respeito do número excessivo de marxistas
existentes na Faculdade de Educação, ou a respeito da militância
política de membros do Lemarx, ou ainda com os comentários ditos na
reunião departamental quando da tramitação do projeto de criação do
Lemarx, alegando que este se tratava de um grupo sem importância, como
está registrado em ata.
Nós,
marxistas, aprendemos desde cedo a gritar. O nosso grito, ou
conforme praguejam silenciosamente nossos detratores, a nossa
estupidez, é a maneira pela qual trazemos à tona o seu silêncio
dissimulado e manso. O nosso grito também quer despertar o silêncio dos
demais membros desta Congregação, ainda insensíveis ao que se passa.
Ouvimos
aqui, na última reunião desta Congregação, ocorrida em 05 de dezembro,
a defesa do direito unilateral que cabe a cada membro de solicitar
vistas, mesmo não estando ou estando rasamente fundamentado. Está
preservado este ato unilateral no regimento desta casa e se neste ainda
tivesse escrito que todos deveriam comparecer de mortalha nesta sala,
assim todos procederiam, apesar dos sinais do tempo.
Não
se ouviu na última reunião desta Congregação a defesa do direito das
livres expressão e manifestação de quaisquer grupos, visto que não está
disposto no regimento. Nada se ouviu sobre os demais grupos que, não
obstante o interesse público e anti-cartorial repentino dos senhores
solicitantes, estes nenhuma dúvida ou interesse tiveram sobre aqueles.
Curiosamente, a dúvida desses senhores fez o seu pouso sobre grupos que
não professam os seus referenciais.
A
democracia regimental não deve cegar os membros desta Congregação. O
corporativismo institucional não os pode tornar indiferentes ao que
aqui teve lugar. Quem compareceu à reunião do dia 05 de dezembro último
não viu mais que uma chacota da qual esta Congregação foi vítima, os
senhores solicitantes levaram todos e todas aos braços do ridículo.
Ironicamente,
quis a história que hoje marxistas estivessem aqui para defender um
direito sagrado da burguesia, a livre expressão. Não nos
pouparam críticas a respeito de nossa intolerância e de nossa sanha
exterminadora. Apenas os que desconhecem a história da humanidade, a
história daqueles e daquelas que doaram as suas vidas para conquistarem
direitos hoje cinicamente usurpados por alguns, podem querer fazer da
democracia o sinônimo perfeito da tolerância. Homens e mulheres fizeram
cabeças rolarem e perderam as suas próprias em defesa da democracia.
Jamais confundiram a democracia como um ente abstrato, que pode
subsistir apesar de seus atos. A medida da democracia que construíram é
a mesma da intolerância que tiveram contra as tentativas mínimas de
autoritarismo ou de cerceamento de liberdades. Exterminaram quem lhes
opusesse ao seu projeto democrático revolucionário.
Um
corpo são não deve tolerar um tumor cancerígeno. Uma instituição social
democrática não deve tolerar as disposições proto-fascistas em seu
interior, sob pena de ingressarem em metástase. A democracia nos exige
vigilância e é estranha ao estado de dormência e cumplicidade
silenciosa.
Por
último, o Lemarx tem um alerta aos seus detratores. Nos mais de três
anos que existe nesta Faculdade, ele vem crescendo semestre após
semestre, ano após ano. Não abrimos mão de nenhuma atividade que
propusemos desde o início. Ao contrário, criamos novas. Toda nova turma
de suas atividades, deixa metade ou dois terços de interessados sem
poderem participar, não porque aplicamos vestibular, mas porque esta
casa não dispõe de auditório que comporte 450 pessoas. Os interessados
chegam a nós sem que seja necessário pregarmos um só cartaz ou
distribuirmos panfletos. Chegam porque nos conhecem através de nossos
cursistas anteriores que são o testemunho maior de nossa seriedade,
disciplina e comprometimento.
Provavelmente,
nenhum dos senhores e senhoras aqui presentes conhecem a disposição
necessária para doar os seus horários de descanso aos sábados à tarefa
de remanejar cadeiras do primeiro e segundo andar para ocupar o pátio,
graças à energia única e própria dos integrantes do Lemarx. De seres
humanos que tem em seu horizonte o progresso da humanidade e o livre
acesso ao conhecimento humano (o fim do vestibular e do ENEM ou coisa
que o valha).
Portanto,
senhores detratores, haja vista que o Lemarx cresce em taxa constante,
apressem as suas novas armas, pois sabemos que este não será o nosso
último embate. Tratem de elaborar novos artimanhas, de prospectar os
nossos currículos e tudo que lhes renda motivo para escamotear as
vossas disputas acadêmicas e políticas no ataque invejoso e mesquinho
que nos fazem. É importante que continuem a nos golpear senão nós
cresceremos e poderá se tornar mesmo impossível que nos tirem daqui.
A luta forja o espírito de um revolucionário e lhe multiplica as forças. É o fogo em que arde a nossa alma.
LEMARX
Laboratório
de Estudos e Pesquisas Marxistas
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